Espíritas, amai-vos e instruí-vos!
 

Estudando Kardec

.          Amai-vos   e   instruí-vos!...

Áudios

LE 85 - Perguntas 629 a 648
Data: 29/09/2011
Créditos:
O Livro dos Espíritos - Autor: Allan Kardec - Editora: Feb - Edição de áudio: Luzkar.



Ouvir o texto:

O Livro dos Espíritos
Allan Kardec

 

Livro III – Leis Morais 
Cap. I - Lei Divina ou Natural


O Bem e o Mal -  Perguntas 629 a 646
 
629 – Que definição se pode dar da moral?
 
-- A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir  o bem do mal. Funda-se na observância da Lei de Deus. O homem procede bem quando faz tudo pelo bem de todos, porque então cumpre a Lei de Deus.
 
630 – Como se pode distinguir o bem do mal?
 
-- O bem é tudo o que é conforme à Lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a Lei de Deus. Fazer o mal é infringir essa lei.
 
631 – O homem tem meios de distinguir por si mesmo o que é bem do que é mal?
 
-- Sim, quando crê em Deus e o quer saber. Deus lhe deu a inteligência para distinguir um do outro.
 
632 – Por estar sujeito ao erro, o homem não pode enganar-se na apreciação do bem e do mal e crer que faz o bem, quando, na realidade, faz o mal?
 
-- Jesus vos disse: Vede o que gostaríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis.
 
633 – A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, não pode ser aplicada à conduta pessoal do homem pra consigo mesmo. Achará ele, na lei natural, a regra dessa conduta e um guia seguro?
 
-- Quando comeis em excesso, isso vos faz mal. Pois bem, é Deus quem vos dá a medida do que necessitais. Quando ultrapassais essa medida, sois punidos. Dá-se o mesmo em tudo. A lei natural traça para o homem o limite de suas necessidades; quando ele o ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem sempre escutasse essa voz que lhe diz “basta!”, evitaria a maior parte dos males de que acusa a Natureza.
 
634 – Por que o mal está na natureza das coisas? Falo do mal moral. Deus não podia ter criado a Humanidade em melhores condições?
 
-- Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa ao homem a escolha do caminho. Tanto pior para ele, se toma o mau caminho; sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, o homem não compreenderia que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É preciso que o Espírito adquira experiência e, para isso, é necessário que conheça o bem e o mal. Eis por que existe a união do Espírito e do corpo.
 
635 – As diferentes posições sociais criam novas necessidades, que não são as mesmas para todos os homens. Não fica parecendo que a lei natural não constitui regra uniforme?
 
-- Essas diferentes posições estão na natureza das coisas e segundo a lei do progresso. Isto não impede a unidade da lei natural, que se aplica a tudo.
 
Nota:
As condições da existência do homem mudam de acordo com os tempos e os lugares, resultando para ele necessidades diferentes e posições sociais apropriadas a essas necessidades. Já que essa diversidade está na ordem das coisas, ela é conforme à Lei de Deus, lei que não deixa de ser una em seu princípio. Cabe à razão distinguir as necessidades reais das necessidades artificiais ou convencionais.
 
636 – O bem e o mal são absolutos para todos os homens?
 
-- A Lei de Deus é a mesma para todos; mas o mal depende principalmente da vontade que se tenha de o praticar. O bem é sempre o bem e o mal é sempre o mal, seja qual for a posição do homem; a diferença está no grau de responsabilidade.
 
637 – Será culpado o selvagem que, cedendo ao seu instinto, se alimenta de carne humana?
 
-- Eu disse que o mal depende da vontade. Pois bem! O homem é tanto mais culpado quanto melhor sabe o que faz.
 
Nota:
As circunstâncias dão relativa gravidade ao bem e ao mal. Muitas vezes o homem comete faltas que, embora decorrentes da posição em que a sociedade o colocou, não são menos repreensíveis. Mas a sua responsabilidade é proporcional aos meios de que ele dispõe para compreender o bem e o mal. É por isso que o homem esclarecido que comete uma simples injustiça é mais culpado aos olhos de Deus do que o selvagem ignorante que se entrega a seus instintos.
 
638 – Parece, às vezes, que o mal é uma conseqüência da força das coisas. Tal, por exemplo, em certos casos, a necessidade de destruição, até mesmo do nosso semelhante. Pode-se dizer, então, que há infração da Lei de Deus?
 
-- Embora necessário, o mal não deixa de ser o mal. Mas essa necessidade desaparece à medida que a alma se depura, passando de uma existência a outra. Então o homem se torna mais culpado quando o comete, porque melhor o compreende.
 
639 – O mal que cometemos não resulta muitas vezes da posição em que os outros homens nos colocaram? Quais são, nesses casos, os mais culpados?
 
-- O mal recai sobre aquele que foi o seu causador. Assim, o homem que é levado a praticar o mal pela posição em que seus semelhantes o colocaram, é menos culpado do que aqueles que causaram esse mal, porque cada um será punido não só pelo mal que haja feito, mas também pelo mal que tenha provocado.
 
640 – Aquele que não pratica o mal, mas que se aproveita do mal praticado por outrem, é tão culpado quanto este?
 
-- É como se o houvesse praticado. Aproveitar do mal é participar do mal. Talvez tivesse recuado diante ação, mas, se tira parido do mal, por encontrá-lo realizado, é que o aprova e o teria praticado se pudesse ou se tivesse ousado.
 
641 – O desejo do mal será tão repreensível quanto o próprio mal?
 
-- Conforme: há virtude em resistir-se voluntariamente ao mal que se deseja praticar, sobretudo quando se tem a possibilidade de satisfazer a esse desejo. Se, porém, faltou apenas ocasião para isso, o homem é culpado.
 
642 – Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?
 
-- Não; é preciso que faça o bem no limite de suas forças, pois cada um responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.
 
643 – Haverá pessoas que, por sua posição, não tenham possibilidade de fazer o bem?
 
-- Não há ninguém que não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra oportunidade de o praticar. Basta que se esteja em relação com outros homens para se ter a ocasião de fazer o bem, e cada dia da existência oferece essa possibilidade a quem não estiver cego pelo egoísmo. Fazer o bem não consiste somente em ser caridoso, mas em ser útil, na medida do possível, toda vez que o auxílio se fizer necessário.
 
644 – O meio em que certos homens se acham colocados não constitui, para eles, a fonte principal de muitos vícios e crimes?
 
-- Sim, mais ainda há uma prova que o Espírito escolheu, quando em liberdade. Ele quis se expor à tentação para ter o mérito da resistência.
 
645 – Quando o homem se acha, de certo modo, mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se torna para ele um arrastamento quase irresistível?
 
-- Arrastamento, sim; irresistível, não; porque, mesmo dentro dessa atmosfera viciosa, podeis encontrar, algumas vezes, grandes virtudes. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que, ao mesmo tempo, receberam a missão de exercer boa influência sobre os seus semelhantes.
 
646 – O mérito do bem que se faz está subordinado a certas condições? Em outras palavras: há diferentes graus no mérito do bem?
 
-- O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Na há mérito algum em fazer o bem sem esforço e quando nada custa. Deus leva mais em conta o pobre que reparte o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra. Jesus já disse isto, a propósito do óbolo da viúva. 
 
Divisão da Lei Natural
Perguntas 647 e 648
 
647 – Toda a Lei de Deus está contida na máxima do amor ao próximo, ensinada por Jesus?
 
-- Certamente esta máxima encerra todos os deveres dos homens uns para com os outros. Mas é preciso mostrar a eles a sua aplicação, pois, do contrário, deixarão de praticá-la, como o fazem até hoje. Aliás, a lei natural abrange todas as circunstâncias da vida, e essa máxima é apenas uma parte da lei. Os homens necessitam de regras precisas; os preceitos gerais e muito vagos deixam muitas portas abertas à interpretação.
 
648 – Que pensais da divisão da lei natural em dez partes, compreendendo as leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade, e, por fim, a de justiça, amor e caridade?
 
-- Essa divisão da Lei de Deus em dez partes é a de Moisés, e pode abranger todas as circunstâncias da vida, o que é essencial. Podes, pois, adotá-la, sem que, por isso tenha qualquer coisa de absoluta, como não o têm os demais sistemas de classificação, que dependem do ponto de vista sob o qual se considere uma coisa. A última lei é a mais importante; é por meio dela que o homem pode adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras.
 

 
Fim do Capítulo I
 



Continuar o Estudo
Fraterno abraço,
Luzkar.
Enviado por Luzkar em 29/09/2011



Comentários



Site do Escritor criado por Recanto das Letras
 
Fora da Caridade não há Salvação!